{"id":281,"date":"2013-06-11T06:39:54","date_gmt":"2013-06-11T09:39:54","guid":{"rendered":"http:\/\/&#038;p=281"},"modified":"2026-06-09T18:24:02","modified_gmt":"2026-06-09T18:24:02","slug":"meio-ambiente-para-o-ibram-o-setor-mineral-esta-bem-em-sustentabilidade-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/meio-ambiente-para-o-ibram-o-setor-mineral-esta-bem-em-sustentabilidade-ambiental\/","title":{"rendered":"Meio Ambiente Para O Ibram: O Setor Mineral Est\u00e1 Bem Em Sustentabilidade Ambiental"},"content":{"rendered":"<div>O setor mineral brasileiro tem dado passos muito importantes rumo \u00e0 sustentabilidade ambiental, segundo o diretor de Assuntos Ambientais do IBRAM (Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o), Rinaldo C\u00e9sar Mancin.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele explica que a institui\u00e7\u00e3o concluiu recentemente um processo de consulta p\u00fablica para um manual que pretende orientar as empresas mineradoras a planejarem e realizarem o fechamento de minas, seja por exaust\u00e3o ou por paralisa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria por quest\u00f5es de mercado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na vis\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, o planejamento do fechamento da mina deve ser iniciado antes do in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es e a recupera\u00e7\u00e3o ser feita de prefer\u00eancia concomitantemente com a lavra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&nbsp;O IBRAM tamb\u00e9m est\u00e1 opinando numa consulta p\u00fablica que est\u00e1 sendo realizada pelo DNPM (Departamento Nacional da Produ\u00e7\u00e3o Mineral) de um plano de emerg\u00eancia para barragens de rejeito, que estabelece uma s\u00e9rie de exig\u00eancias para as empresas mineradoras no caso de acidentes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O diretor do IBRAM diz que o setor mineral est\u00e1 muito bem no que diz respeito \u00e0 emiss\u00e3o de gases do efeito estufa , sendo respons\u00e1vel por apenas 0,5% do total das emiss\u00f5es brasileiras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mesmo assim, as empresas est\u00e3o empenhadas em aumentar os n\u00edveis de redu\u00e7\u00e3o, principalmente atrav\u00e9s do menor uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, j\u00e1 que a queima desse tipo de combust\u00edvel \u00e9 a maior respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es da minera\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele tamb\u00e9m informa que o setor tamb\u00e9m tem registrado avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o do consumo de recursos naturais, como a \u00e1gua e na m\u00e9dia hoje j\u00e1 consegue reutilizar 80% de toda a \u00e1gua captada para alimentar suas instala\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na entrevista a seguir ele comenta com mais detalhes esses pontos. Confira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; Qual \u00e9 o prop\u00f3sito do IBRAM com o Guia de Fechamento de Mina e qual foi o objetivo de submet\u00ea-lo a consulta p\u00fablica?<\/div>\n<div>RINALDO MANCIN &#8211; O mais interessante no processo de elabora\u00e7\u00e3o do Guia de Fechamento de Mina foi uma forma de construir o guia de forma totalmente participativa. Tivemos um longo processo, de um ano e meio a dois anos, junto com as empresas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Atrav\u00e9s de algumas audi\u00eancias e consultas p\u00fablicas, estamos construindo o guia. &nbsp;Ent\u00e3o, n\u00e3o se trata de um guia feito unicamente por n\u00f3s, pelo IBRAM. Ao contr\u00e1rio, ele foi sendo influenciado nesse processo, de um ano e tanto, por semin\u00e1rios, f\u00f3runs de debate, coisas nessa linha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O guia auxilia a empresa a planejar o fechamento. N\u00e3o \u00e9 um guia para elaborar planos de fechamento. Ent\u00e3o, \u00e9 mais uma ferramenta de conscientiza\u00e7\u00e3o interna da empresa. Tem um pouco a fei\u00e7\u00e3o de check-list, para verificar se alguma das a\u00e7\u00f5es fundamentais n\u00e3o est\u00e3o sendo esquecidas. Na verdade, o guia \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de algumas iniciativas que o IBRAM vem tomando desde 2008 e a ideia principal \u00e9 promover uma abordagem disciplinada sobre o fechamento de mina, lembrando que \u00e9 um guia volunt\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 necessidade alguma da empresa assumir, mas julgamos que se ela incorporar as ferramentas de fechamento, vai se dar bem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; O guia vai al\u00e9m do que prop\u00f5e o PRAD (Plano de Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas)?<\/div>\n<div>MANCIN &#8211; Muito al\u00e9m. Primeiro, porque Rinaldo C\u00e9sar Mancin, Diretor do IBRAM, a tradu\u00e7\u00e3o do termo fechamento de mina vai muito al\u00e9m da norma regulamentadora do DNPM, que \u00e9 muito focada nos aspectos f\u00edsicos, da exaust\u00e3o do bem mineral. O conceito atual \u00e9 mais socioecon\u00f4mico e ambiental e o guia traz vis\u00f5es de legado p\u00f3s-minera\u00e7\u00e3o. Ele segue muito a linha da moderna t\u00e9cnica do planejamento. Por exemplo: que dia come\u00e7a o planejamento do fechamento de mina? No dia em que a mina abrir. O guia traz essas no\u00e7\u00f5es de fechamento progressivo, tentando trazer as vari\u00e1veis ambientais e sociais para o planejamento. Trata-se de um guia que \u00e9 para qualquer empresa, pois \u00e9 focado no planejamento para o fechamento, independente da empresa ser grande, m\u00e9dia ou pequena. L\u00f3gico que as grandes empresas t\u00eam rotina de fechamento muito consolidadas, especialmente aquelas que t\u00eam a\u00e7\u00f5es na bolsa de Nova Iorque, porque uma das exig\u00eancias legais \u00e9 que se tenha planos de fechamento. H\u00e1 toda uma preocupa\u00e7\u00e3o com barragens, estruturas de risco. Portanto, uma Vale, uma Alcoa, t\u00eam um n\u00edvel de planejamento conceituado, que \u00e9 refer\u00eancia. Mas tamb\u00e9m faltava para n\u00f3s, aqui no Brasil, casos brasileiros. Em 2009 lan\u00e7amos um guia feito pelo ICMM, que n\u00f3s traduzimos para o Brasil e que na verdade \u00e9 um guia mundial, que parte de exemplos mundiais. &nbsp;Assim, faltava algo meio tropical, com os nossos exemplos. E isso foi constru\u00eddo junto com setores do governo, com as empresas de minera\u00e7\u00e3o, as consultorias que est\u00e3o atuando forte nesse mercado. Portanto o guia hoje \u00e9 &nbsp;tranquilamente uma m\u00e9dia bem aceita pelo setor, de boas pr\u00e1ticas. O sonho nosso \u00e9 que, quando estiver bem consolidado, o guia passe a ser aceito e recomendado pelo DNPM como uma boa pr\u00e1tica que poderia ser utilizada pelas empresas. Ao conceder uma portaria de lavra, ou conceder qualquer um dos instrumentos, que o DNPM recomendasse: Sugerimos a ado\u00e7\u00e3o desse guia como uma boa alternativa para o fechamento. Esta \u00e9 a nossa ambi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os itens do guia v\u00eam estruturados de uma forma simples, porque a quest\u00e3o \u00e9 orientar os diversos setores da empresa. &nbsp;Entendemos que o planejamento do fechamento de uma mina n\u00e3o \u00e9 uma coisa s\u00f3 para engenheiro de minas mas tamb\u00e9m para quem est\u00e1 l\u00e1 na ponta e at\u00e9 para quem est\u00e1 na \u00e1rea financeira da empresa. Ent\u00e3o, o guia tamb\u00e9m serve para informar as partes interessadas dentro da empresa, al\u00e9m dos atores externos a ela. Ele vem numa linha de prever cen\u00e1rios. &nbsp;Porque uma coisa \u00e9 um projeto normal, que vai ter um fechamento programado conforme o plano original e outra \u00e9 ter, no meio do caminho, um fechamento prematuro. N\u00e3o existiam regras para o fechamento prematuro. Mas uma mina pode ser interrompida por quest\u00f5es de mercado, de acidentes, e tamb\u00e9m pode-se ter uma suspens\u00e3o tempor\u00e1ria, parar de minerar por um per\u00edodo, devido a fatores de mercado, e voltar a minerar algum tempo depois. O guia prev\u00ea essas situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinham um tratamento muito<\/div>\n<div>claro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00f3s abrimos para um per\u00edodo de consulta p\u00fablica, que se encerrou agora, e tivemos algumas contribui\u00e7\u00f5es, que vamos processar. Devemos estar lan\u00e7ando o guia impresso em agosto deste ano e, no Congresso Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o, em setembro, haver\u00e1 um painel totalmente focado em fechamento de mina, trazendo especialistas do exterior, que debater\u00e3o com o professor Luis Enrique S\u00e1nchez, autor do guia. Um aspecto muito importante \u00e9 a terminologia, porque cada um usa um termo que quer significar alguma coisa. Descomissionamento, por exemplo, \u00e9 um dos termos que n\u00f3s mais ouvimos no mundo mineral, mas ningu\u00e9m sabia precisar o que era precisamente. Ent\u00e3o, o exerc\u00edcio inicial nosso foi criar um vocabul\u00e1rio e aceit\u00e1-lo, deixando muito claro do que n\u00f3s estamos falando.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; O DNPM recentemente abriu para consulta p\u00fablica um plano de emerg\u00eancia de barragens de rejeito. &nbsp;Como o IBRAM v\u00ea essa quest\u00e3o?<\/div>\n<div>MANCIN &#8211; \u00c9 um processo natural. N\u00f3s tivemos a pol\u00edtica nacional de seguran\u00e7a de barragens, que \u00e9 de 2010, com a qual somos convergentes e em cujo processo fomos consultados. Consideramos a pol\u00edtica necess\u00e1ria para disciplinar toda a seguran\u00e7a de barragens. &nbsp;Depois de promulgada a pol\u00edtica, uma parte da obriga\u00e7\u00e3o foi dada \u00e0 ANA (Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas), que baixou uma resolu\u00e7\u00e3o e fez uma classifica\u00e7\u00e3o de risco dos reservat\u00f3rios. Posteriormente, o pr\u00f3prio DNPM baixou uma portaria seguinte, a 416, que cria um sistema de cadastro nacional de barragens de minera\u00e7\u00e3o. Isso em 2012. E agora chegamos na fase final, que \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o dos planos de emerg\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ainda temos muitas d\u00favidas sobre o plano de emerg\u00eancias. Ele traz alguns conceitos novos, mas h\u00e1 coisas ainda a serem respondidas. &nbsp;Inclusive, a prorroga\u00e7\u00e3o da consulta do DNPM atende a um pedido do IBRAM, porque n\u00f3s entendemos que aquele prazo era muito curto e alguns pontos ficaram ainda sem muita clareza. Por exemplo, \u00e0 mineradora \u00e9 atribu\u00edda uma determinada responsabilidade no caso de uma ruptura. Por\u00e9m, quem \u00e9 o acionador da emerg\u00eancia \u00e9 a Defesa Civil. &nbsp;Mas nem toda cidade tem Defesa Civil estruturada. &nbsp;Outro ponto \u00e9 que se precisa ter um contexto regional e um contexto local, pois pode haver uma sequ\u00eancia de barragens de mineradoras na calha de um rio e uma ruptura levar a rupturas subsequentes adiante. Ent\u00e3o, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o do impacto cumulativo, que est\u00e1 faltando no plano de emerg\u00eancia. &nbsp;Como uma empresa interage com outra empresa numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, imaginando que pode haver uma sequ\u00eancia de barragens na calha do rio? Isto \u00e9 muito comum em Minas Gerais, em regi\u00e3o montanhosa. &nbsp;N\u00e3o conseguimos ver com muita clareza essa quest\u00e3o na portaria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A proposta do DNPM trouxe um elemento novo, conhecido como Dam Break, que \u00e9 o estudo que avalia os potencias impactos da ruptura de uma barragem. Isso n\u00e3o est\u00e1 previsto nem na pol\u00edtica nacional (lei 12334\/2010, que \u00e9 a politica nacional de barragens), nem na resolu\u00e7\u00e3o do CNRH n\u00b0143\/2012, que classifica as barragens, ou na portaria do DNPM 416\/2012, que trata do cadastro nacional de barragens. A quest\u00e3o do Dam Break (assim o termo \u00e9 conhecido no mundo da engenharia) n\u00e3o \u00e9 nova e h\u00e1 empresas que j\u00e1 conseguem fazer com alguma facilidade. &nbsp;O problema do Dam Break \u00e9 que se trata de uma modelagem matem\u00e1tica, que parte de algumas presuposi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, \u00e9 algo muito impreciso. &nbsp;N\u00e3o existe uma \u00fanica metodologia para se montar um Dam Break, que pode variar de empresa para empresa, porque possui n vari\u00e1veis, como topografia, escoamento, coisas desse tipo. N\u00f3s estamos com muita d\u00favida de como informar ao DNPM, de uma forma unificada, os estudos de ruptura. Lembramos que este \u00e9 um ponto que n\u00e3o tinha na pol\u00edtica e que surgiu agora, como um novo elemento, e sobre o qual temos alguma d\u00favida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na legisla\u00e7\u00e3o atual tamb\u00e9m tem algumas d\u00favidas. Por exemplo, a mineradora assume alguns compromissos de treinamento e de alerta da popula\u00e7\u00e3o local, no caso de uma ruptura. Por\u00e9m, sem o poder p\u00fablico as empresas n\u00e3o d\u00e3o conta de fazer isso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em linhas gerais, n\u00e3o temos grandes diverg\u00eancias, mas julgamos que h\u00e1 pontos que podem ser aperfei\u00e7oados nesse processo. Somos convergentes com a legisla\u00e7\u00e3o, entendemos que esse \u00e9 o pr\u00f3ximo passo, de os planos de emerg\u00eancia ganharem mais publicidade, mais conhecimento das partes envolvidas, por\u00e9m n\u00f3s temos d\u00favidas e sugest\u00f5es ao plano, e isso est\u00e1 contemplado nesse processo de consulta, que foi ampliado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma outra coisa importante: a portaria, da forma como est\u00e1 hoje, exige uma autom\u00e1tica implementa\u00e7\u00e3o das regras. Ou seja, baixada a portaria, imediatamente as empresas t\u00eam que se adequar. Mas isto muito irreal. \u00c9 preciso se dar um prazo (talvez de um ano) para as empresas se adequarem. Tem empreendimentos licenciados h\u00e1 40 anos e empreendimentos licenciados p\u00f3s-politica nacional de barragens e que n\u00e3o contemplam a quest\u00e3o dos planos de emerg\u00eancia, mesmo porque a politica \u00e9 de 2010 e n\u00f3s estamos em 2013. Passaram-se 3 anos e h\u00e1 diferentes situa\u00e7\u00f5es de projetos, que est\u00e3o com horizontes de implementa\u00e7\u00e3o diferenciados. E a adapta\u00e7\u00e3o de tudo \u00e0 realidade de transformar isso em plano de emerg\u00eancia, vai exigir uma quantidade de profissionais que n\u00e3o existem no mercado. &nbsp;Portanto, precisamos de um prazo maior, um horizonte de implanta\u00e7\u00e3o maior. Entendemos que um ano \u00e9 o m\u00ednimo necess\u00e1rio para as empresas se adequarem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; Uma outra quest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s barragens: algumas empresas estavam pensando em processar os rejeitos contidos em barragens. &nbsp;Outra coisa: cada vez mais empresas tentam minimizar o uso de \u00e1gua nos processos, at\u00e9 optando pelo processamento a seco, para minimizar a deposi\u00e7\u00e3o de rejeito. Como o senhor v\u00ea isto?<\/div>\n<div>MANCIN &#8211; Acho que \u00e9 uma tend\u00eancia natural, porque os rejeitos, especialmente nas minas mais antigas, s\u00e3o muito ricos em min\u00e9rio. &nbsp;Portanto, com as novas tecnologias de biolixivia\u00e7\u00e3o isto \u00e9 o futuro para muitas empresas, porque reduz a abertura de novas \u00e1reas. Uma barragem antiga de uma mina de ouro, por exemplo, tem muito min\u00e9rio e \u00e9 mais barato explorar a barragem do que fazer uma mina subterr\u00e2nea. Ent\u00e3o, vejo isso como uma tend\u00eancia. H\u00e1 v\u00e1rias t\u00e9cnicas, mas talvez o termo que represente todas elas seja bio lixivia\u00e7\u00e3o, ou t\u00e9cnicas de lixivia\u00e7\u00e3o dos rejeitos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A outra pergunta \u00e9 extremamente pol\u00eamica dentro do setor. Neste caso estamos falando de barragens aquosas versus barragens em pasta. Eu acho que a tend\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o brasileira e mundial \u00e9 para barragens com material espessado, porque reduz substancialmente o risco de vazamento e ocupa \u00e1reas muito menores do que uma barragem l\u00edquida. Por\u00e9m, o custo de implanta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais elevado do que uma barragem l\u00edquida. &nbsp;No entanto, h\u00e1 que se considerar que \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil ter acesso ao territ\u00f3rio, porque o valor dos terrenos nas cercanias da minera\u00e7\u00e3o \u00e9 muito elevado. E para se ter a barragem \u00e9 preciso adquirir uma \u00e1rea, que vai ser provavelmente desmatada ? o que requer compensa\u00e7\u00f5es ambientais &#8211; e ainda se vai criar uma estrutura de risco. Eu acredito que a gradativa absor\u00e7\u00e3o da tecnologia de espessamento dos rejeitos vai fazer baratear o custo e as pr\u00f3ximas barragens de rejeitos v\u00e3o ser espessadas. Por enquanto, s\u00f3 a redu\u00e7\u00e3o do risco \u00e9 o grande atrativo dessa hist\u00f3ria, porque barragem espessada n\u00e3o rompe. Vejo isso como irrevers\u00edvel e como tend\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o daqui para a frente. At\u00e9 porque, como Minas Gerais, maior estado minerador, h\u00e1 terrenos muito acidentados e chega-se a ter barragens com 70 e at\u00e9 90 metros de altura. &nbsp;Em um vale, isto representa um risco imenso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; O novo C\u00f3digo Florestal est\u00e1 fazendo anivers\u00e1rio. De que forma ele interferiu na minera\u00e7\u00e3o?<\/div>\n<div>MANCIN &#8211; Para n\u00f3s, da minera\u00e7\u00e3o, o novo c\u00f3digo teve pouco efeito real. \u00c9 certo que a minera\u00e7\u00e3o ganhou o novo status de utilidade p\u00fablica, o que \u00e9 positivo. Mas a pr\u00f3pria compreens\u00e3o do novo c\u00f3digo \u00e9 muito sofisticada. Tanto que h\u00e1 livros s\u00f3 para ensinar a interpretar o c\u00f3digo florestal. Lembramos que ele foi originado de uma Medida Provis\u00f3ria, que no Congresso foi cortada e emendada, depois sofreu vetos. Assim, a arte jur\u00eddica para compreens\u00e3o do novo c\u00f3digo \u00e9 para poucos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas a situa\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela continua a ter um status privilegiado para operar em outras \u00e1reas. &nbsp;Antes do C\u00f3digo tinha-se a Resolu\u00e7\u00e3o 369, do CONAMA, que permitia \u00e0 minera\u00e7\u00e3o atuar em \u00e1reas de APP e de nascentes. No novo c\u00f3digo \u00e9 a mesma coisa: ele trouxe para a utilidade p\u00fablica a minera\u00e7\u00e3o. Permanece a separa\u00e7\u00e3o entre os minerais de agregados para constru\u00e7\u00e3o e os minerais met\u00e1licos. Os agregados t\u00eam um tratamento mais r\u00edgido e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abrir uma mina de areia numa APP com tanta facilidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os outros aspectos do c\u00f3digo est\u00e3o muito mais ligados \u00e0 ind\u00fastria, agricultura e pecu\u00e1ria do que \u00e0 minera\u00e7\u00e3o. Todo aquele debate com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s margens de rios, recupera\u00e7\u00e3o das nascentes, at\u00e9 quanto iam as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente, n\u00e3o afetou a minera\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&nbsp;Entre os temas tangentes \u00e0 minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a reserva legal, que na regi\u00e3o Sudeste est\u00e1 bem equacionada, porque h\u00e1 mecanismos claros de como operar. &nbsp;Mas este \u00e9 um assunto que tem muito a ver com a Amaz\u00f4nia, porque 80% do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico \u00e9 reserva legal. E se somarmos \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o, parques nacionais, reservas ind\u00edgenas, o resultado \u00e9 que as \u00e1reas dispon\u00edveis na Amaz\u00f4nia ficam bem reduzidas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, que a minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez disputando com outros recursos, como o IBRAM avalia as exig\u00eancias, que est\u00e3o aumentando, e a tend\u00eancia da cobran\u00e7a pelo uso?<\/div>\n<div>MANCIN &#8211; Aumentam os custos e n\u00f3s entendemos esse cen\u00e1rio como normal. O Brasil tem uma pol\u00edtica nacional de recursos h\u00eddricos bem moderna, de 1997, temos um Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, que \u00e9 uma instancia reconhecida como eficiente e conhecida como parit\u00e1ria, ao contr\u00e1rio do CONAMA, que parte de uma modelagem muito antiga e que \u00e9 um ambiente muito dif\u00edcil de trabalhar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No CNRH o ambiente \u00e9 mais moderado, o empresariado tem assento l\u00e1. E tem a expans\u00e3o dos comit\u00eas estaduais de recursos h\u00eddricos e o seu rebatimento nos comit\u00eas de bacia. O aparato de governan\u00e7a para isso est\u00e1 ganhando sofistica\u00e7\u00e3o e est\u00e1 sendo implementado. O resultado disso l\u00e1 na ponta \u00e9 a disputa pelo recurso da \u00e1gua, que s\u00e3o finitos. E como isto acontece? Nos comit\u00eas de bacia. \u00c9 uma pol\u00edtica muito moderna. As mineradoras que consomem bastante \u00e1gua t\u00eam que estar preparadas para participar desses f\u00f3runs democr\u00e1ticos e para enfrentar essa realidade da disputa pelo uso da \u00e1gua. O que vai valer \u00e9 um bom projeto, uma boa argumenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, retornos econ\u00f4micos. A cobran\u00e7a \u00e9 um dos instrumentos da pol\u00edtica nacional de recursos h\u00eddricos. \u00c0s vezes os organismos come\u00e7am a definir uma estrat\u00e9gia a partir da cobran\u00e7a, quando h\u00e1 outros tantos elementos da pol\u00edtica de que se poderia lan\u00e7ar m\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>H\u00e1 uma tend\u00eancia de se come\u00e7ar pela cobran\u00e7a, quando se poderia come\u00e7ar pelo planejamento, com o termo t\u00e9cnico chamado Enquadramento de Corpos, porque se precisa da informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para se tra\u00e7ar uma estrat\u00e9gia de cobran\u00e7a. O que nos traz um grande conforto \u00e9 que a minera\u00e7\u00e3o em m\u00e9dia reusa 80% da \u00e1gua que capta. Ent\u00e3o n\u00f3s temos uma taxa de reuso muito elevada. &nbsp;L\u00f3gico que \u00e1gua \u00e9 um bem econ\u00f4mico, as empresas pagam para captar, ent\u00e3o t\u00eam que reutilizar esse recurso. Cada vez mais se v\u00ea as empresas de minera\u00e7\u00e3o ampliando a sua capacidade na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos. E nisto o setor se d\u00e1 bem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como o setor est\u00e1?<\/div>\n<div>MANCIN &#8211; O setor est\u00e1 muito bem. &nbsp;A minera\u00e7\u00e3o brasileira saiu na frente na quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o IBRAM fez um invent\u00e1rio das emiss\u00f5es em 2010, o qual constatou que a minera\u00e7\u00e3o emite 0,5% de todas as emiss\u00f5es brasileiras. Ent\u00e3o a emiss\u00e3o do setor mineral \u00e9 muito baixa. Depois desse invent\u00e1rio, n\u00f3s trabalhamos, junto com o Minist\u00e9rio de Minas e Energia em um plano para o setor.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Brasil tem uma pol\u00edtica nacional de combate a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da qual derivaram planos setoriais e foi criado um plano para o setor mineral. N\u00f3s trabalhamos junto com o MME, nossos dados serviram de subs\u00eddio para esse plano e a minera\u00e7\u00e3o acabou virando refer\u00eancia nacional em termos de qualidade das informa\u00e7\u00f5es e capacidade de articular o setor. Agora o IBRAM est\u00e1 no meio de uma estrat\u00e9gia, que \u00e9 a fase 2 desse invent\u00e1rio de emiss\u00f5es. No primeiro n\u00f3s contemplamos 10 subst\u00e2ncias minerais e no segundo queremos contemplar 15. Essas 10 subst\u00e2ncias representavam cerca de 90% da produ\u00e7\u00e3o brasileira. Mas o Brasil \u00e9 bastante diverso em termos de bens minerais, ent\u00e3o gostar\u00edamos de expandir em mais 5 subst\u00e2ncias para compreender a realidade das emiss\u00f5es. Lembramos que o plano setorial est\u00e1 na fase de ratifica\u00e7\u00e3o pelo governo. E n\u00f3s estamos absolutamente up to date com as discuss\u00f5es em n\u00edvel nacional e internacional. O IBRAM virou refer\u00eancia nessa quest\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>BRASIL MINERAL &#8211; No levantamento que o IBRAM faz est\u00e1 inclu\u00edda a metalurgia?MANCIN &#8211; N\u00e3o. N\u00f3s paramos no processamento mineral, porque a metalurgia vai para outro segmento, que \u00e9 a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica do invent\u00e1rio \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o de cada uma das cadeias. &nbsp;No caso da minera\u00e7\u00e3o, estamos falando da extra\u00e7\u00e3o, transporte do min\u00e9rio dentro da mina e o beneficiamento. E em alguns casos, como pelota de min\u00e9rio de ferro e concentrado de n\u00edquel, n\u00f3s entendemos como minera\u00e7\u00e3o. &nbsp;Esse limite organizacional foi definido n\u00f3s em 2010.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E de onde vem a maior quantidade das emiss\u00f5es do setor mineral? Da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis por caminh\u00f5es e equipamentos dentro da mina. Para se reduzir isso, dependemos de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, como caminh\u00f5es el\u00e9tricos. Como nossas emiss\u00f5es s\u00e3o muito baixas, temos limites para a redu\u00e7\u00e3o. Se quisermos melhorar, a oportunidade est\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mas o biocombust\u00edvel, por exemplo, \u00e9 caro e depende de algu\u00e9m que forne\u00e7a. A Vale, que \u00e9 a maior &nbsp;consumidora de \u00f3leo diesel no Brasil, tem investido em biocombust\u00edvel. Se for adicionado 20% de biocombust\u00edvel ao \u00f3leo diesel, teremos uma redu\u00e7\u00e3o significativa das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor mineral brasileiro tem dado passos muito importantes rumo \u00e0 sustentabilidade ambiental, segundo o diretor de Assuntos Ambientais do IBRAM (Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o), Rinaldo C\u00e9sar Mancin. 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