{"id":28710,"date":"2025-04-17T17:31:09","date_gmt":"2025-04-17T20:31:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.williamfreire.com.br\/?p=28710"},"modified":"2026-06-09T18:30:34","modified_gmt":"2026-06-09T18:30:34","slug":"prescricao-e-decadencia-da-cfem-sumula-anm-no-1-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/prescricao-e-decadencia-da-cfem-sumula-anm-no-1-2025\/","title":{"rendered":"Prescri\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia da CFEM: S\u00famula ANM n\u00ba 1\/2025"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A edi\u00e7\u00e3o da S\u00famula ANM n\u00ba 1\/2025, pela Diretoria Colegiada da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), inaugura um importante movimento de sistematiza\u00e7\u00e3o institucional da jurisprud\u00eancia administrativa. Ainda que o conte\u00fado da s\u00famula n\u00e3o represente novidade material para o setor \u2014 uma vez que apenas consolida o entendimento anteriormente fixado pela Orienta\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 12\/2016 \u2014, o ato inaugura um novo instrumento para uniformiza\u00e7\u00e3o de entendimentos, o que tende a conferir maior celeridade \u00e0s decis\u00f5es da ANM, conforme previsto no art. 134, IV, da Resolu\u00e7\u00e3o ANM n\u00ba 181\/2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A S\u00famula n\u00ba 1\/2025 trata dos prazos decadenciais e prescricionais aplic\u00e1veis \u00e0 cobran\u00e7a da Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Explora\u00e7\u00e3o de Recursos Minerais (CFEM), reproduzindo a exata orienta\u00e7\u00e3o que a Ag\u00eancia vem aplicando h\u00e1 anos. Nesse sentido, o conte\u00fado sumulado apenas reafirma a posi\u00e7\u00e3o institucional da ANM quanto ao tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, a publica\u00e7\u00e3o da s\u00famula pode contribuir para maior agilidade nas decis\u00f5es da ANM, ao mesmo tempo em que fornece \u00e0s empresas mineradoras um ponto de partida para o di\u00e1logo t\u00e9cnico e jur\u00eddico com a ANM sobre temas que demandam maior reflex\u00e3o ou revis\u00e3o institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque a consolida\u00e7\u00e3o do entendimento da ANM por meio de s\u00famulas deve afastar o encaminhamento de processos para emiss\u00e3o de parecer jur\u00eddico pela Procuradoria Federal. Conforme previsto na Portaria do Diretor-Geral n\u00ba 389\/2010 (artigos 7\u00ba, \u00a71\u00ba, e 8\u00ba, \u00a71\u00ba), caber\u00e1 ao setor t\u00e9cnico a emiss\u00e3o de parecer sobre as quest\u00f5es formais e t\u00e9cnicas, ficando a Procuradoria restrita aos casos em que estiverem em discuss\u00e3o mat\u00e9rias jur\u00eddicas ainda n\u00e3o pacificadas administrativamente. Como a s\u00famula pacifica a discuss\u00e3o jur\u00eddica, a participa\u00e7\u00e3o da Procuradoria passa a ser formalmente dispensada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deve-se ter aten\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de que quest\u00f5es j\u00e1 pacificadas possam n\u00e3o abranger toda a complexidade jur\u00eddica dos casos concretos. Isso pode levar o Setor de Arrecada\u00e7\u00e3o a proferir pareceres limitados ao conte\u00fado da s\u00famula, sem a devida an\u00e1lise t\u00e9cnico-jur\u00eddica de todas as nuances envolvidas, especialmente aquelas que demandam a aplica\u00e7\u00e3o do <em>distinguishing<\/em> (distin\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o caso, inclusive, da pr\u00f3pria discuss\u00e3o sobre a prescri\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia da CFEM. Como detalhamos anteriormente (<a href=\"https:\/\/www.williamfreire.com.br\/areas-do-direito\/direito-tributario\/os-marcos-temporais-para-cobranca-da-cfem-estao-realmente-pacificados\/\">clique aqui<\/a>), a reda\u00e7\u00e3o da parte final do \u00a7 1\u00ba do art. 47 da Lei n\u00ba 9.636\/1998 imp\u00f5e uma limita\u00e7\u00e3o quinquenal \u00e0 exigibilidade da CFEM, e n\u00e3o decenal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de uma discuss\u00e3o que pode ser indevidamente interpretada, caso se aplique automaticamente a orienta\u00e7\u00e3o da S\u00famula n\u00ba 1\/2025, sem o aprofundamento jur\u00eddico e a distin\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especificamente quanto ao conte\u00fado sumulado, a ANM reiterou o seu posicionamento j\u00e1 consolidado desde 2016 por meio da Orienta\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 12\/2016. Partindo de uma interpreta\u00e7\u00e3o das normas aplic\u00e1veis, definiu que: (1) os cr\u00e9ditos relativos a fatos geradores ocorridos at\u00e9 29\/12\/1998 estariam sujeitos ao prazo prescricional de cinco anos, sem previs\u00e3o de prazo decadencial; e (2) aqueles relativos a fatos geradores ocorridos a partir de 30\/12\/1998 estariam sujeitos ao prazo decadencial de dez anos e prazo prescricional de cinco anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa interpreta\u00e7\u00e3o, que retroage o prazo decadencial decenal para fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 1998 \u2013 embora a Medida Provis\u00f3ria que o instituiu s\u00f3 tenha sido publicada em 2003 \u2013 baseia-se no art. 2\u00ba da MP n\u00ba 152\/2003, que estabelece a aplica\u00e7\u00e3o do novo prazo decadencial \u201c<em>aos prazos em curso para constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos origin\u00e1rios de receita patrimonial.<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, \u00e9 preciso questionar: como pode uma norma de 2003 alterar o prazo decadencial de cr\u00e9ditos cujo fato gerador ocorreu anos antes? Tal retroa\u00e7\u00e3o encontra respaldo na Constitui\u00e7\u00e3o e na legisla\u00e7\u00e3o vigente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme comentamos \u00e0 \u00e9poca (<a href=\"https:\/\/www.williamfreire.com.br\/areas-do-direito\/direito-tributario\/os-marcos-temporais-para-cobranca-da-cfem-estao-realmente-pacificados\/\">aqui)<\/a>, entendemos que a Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 152\/2003, posteriormente convertida na Lei n\u00ba 10.852\/2004, somente produz efeitos a partir da sua vig\u00eancia, ocorrida em 23\/12\/2003. Assim, o prazo decadencial de dez anos somente se aplicaria aos fatos geradores ocorridos ap\u00f3s essa data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A impossibilidade de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da legisla\u00e7\u00e3o decorre diretamente dos princ\u00edpios constitucionais da irretroatividade e da seguran\u00e7a jur\u00eddica, consagrados nos arts. 5\u00ba e 60 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, bem como no art. 6\u00ba da Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro (LINDB).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a retroa\u00e7\u00e3o do prazo decadencial decenal ainda pode ser judicialmente questionada, especialmente sob o prisma constitucional, diante do atual entendimento desfavor\u00e1vel do STJ aos contribuintes, firmado no julgamento dos Embargos de Diverg\u00eancia (EREsp 1.718.447\/RS).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas sobre o car\u00e1ter constitucional da discuss\u00e3o a respeito da irretroatividade das leis que buscam atingir fatos anteriores \u00e0 sua edi\u00e7\u00e3o. Sobre esse tema, \u00e9 importante destacar o julgamento da ADI 1.753\/DF. Naquele caso, discutia-se a validade de Medida Provis\u00f3ria que majorou o prazo decadencial da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, quando manejada pelas Fazendas P\u00fablicas e Minist\u00e9rio P\u00fablico, de dois para quatro anos. O ministro Relator Sep\u00falveda Pertence, ao julgar a Medida Cautelar, afirmou que \u201c<em>sendo da melhor doutrina (\u2026) o entendimento de que iniciado um prazo \u2018n\u00e3o \u00e9 mais suscet\u00edvel de ser aumentado nem diminu\u00eddo, sem conden\u00e1vel retroatividade\u2019 (Carlos Maximiliano (\u2026)<\/em>\u201d. Logo, o m\u00e9rito dessa discuss\u00e3o, necessariamente, ainda precisar\u00e1 ser enfrentado pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse movimento vinculado \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de s\u00famulas no \u00e2mbito da ANM, que \u00e9 positivo em raz\u00e3o da busca pela celeridade, economia processual e seguran\u00e7a jur\u00eddica, deve ser acompanhado de forma pr\u00f3xima e com cautela pelo setor. Isso porque ele pode restringir o espa\u00e7o de an\u00e1lise jur\u00eddica nos processos administrativos, na medida em que tende a limitar o debate a interpreta\u00e7\u00f5es j\u00e1 firmadas, ainda que n\u00e3o estejam integralmente debatidas em todos os seus fundamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe tribut\u00e1ria do William Freire Advogados Associados est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para esclarecer d\u00favidas e orientar sobre quest\u00f5es relacionadas aos marcos temporais da CFEM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Rodrigo Henrique Pires \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 P\u00e2mella Souto Pires<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o da S\u00famula ANM n\u00ba 1\/2025, pela Diretoria Colegiada da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), inaugura um importante movimento de sistematiza\u00e7\u00e3o institucional da jurisprud\u00eancia administrativa. 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