{"id":29908,"date":"2025-12-04T13:36:52","date_gmt":"2025-12-04T16:36:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.williamfreire.com.br\/?p=29908"},"modified":"2026-06-09T18:30:33","modified_gmt":"2026-06-09T18:30:33","slug":"cadastro-imobiliario-brasileiro-une-politica-fundiaria-e-arrecadacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/cadastro-imobiliario-brasileiro-une-politica-fundiaria-e-arrecadacao\/","title":{"rendered":"Cadastro Imobili\u00e1rio Brasileiro une pol\u00edtica fundi\u00e1ria e arrecada\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em agosto de 2025, a Receita Federal publicou a Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2.275, disciplinando a ado\u00e7\u00e3o do Cadastro Imobili\u00e1rio Brasileiro (CIB) como identificador \u00fanico de bens im\u00f3veis urbanos e rurais e estabelecendo a forma de compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e documentos relacionados a opera\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, por meio do Sistema Nacional de Gest\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Territoriais (Sinter), pelos servi\u00e7os notariais e de registro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A publica\u00e7\u00e3o da norma gerou desconfian\u00e7a em parte da sociedade, sobretudo porque ocorreu em meio \u00e0 reforma tribut\u00e1ria, sendo noticiada como a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cmalha fina do im\u00f3vel\u201d. Essa leitura n\u00e3o \u00e9 equivocada, mas conv\u00e9m destacar que o CIB n\u00e3o \u00e9 uma novidade absoluta.<br><br><strong>CIB e seu hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 existem experi\u00eancias anteriores de cadastros integradores, especialmente para os im\u00f3veis rurais, como \u00e9 o caso do Cadastro Nacional de Im\u00f3veis Rurais (Cnir), vinculado ao Incra e \u00e0 Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CIB foi institu\u00eddo pela Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2.030\/2021, como m\u00f3dulo do Sistema Nacional de Gest\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Territoriais. O Sinter agrega informa\u00e7\u00f5es cadastrais das unidades imobili\u00e1rias rurais e urbanas, p\u00fablicas ou privadas, inscritas nos respectivos cadastros de origem, localizadas no territ\u00f3rio nacional, em seu subsolo, no mar territorial ou em zona econ\u00f4mica exclusiva. Desde a sua origem, o CIB j\u00e1 foi pensado como um cadastro criado para a unidade imobili\u00e1ria e n\u00e3o necessariamente para o im\u00f3vel urbano ou rural.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o Sinter foi originalmente criado em 2016 e hoje tem sua regulamenta\u00e7\u00e3o no Decreto n\u00ba 11.208\/2022, que tamb\u00e9m disciplina o CIB. O Sinter \u00e9 a plataforma de integra\u00e7\u00e3o que cruza dados cadastrais, geoespaciais, fiscais e jur\u00eddicos dos im\u00f3veis, recebendo informa\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os notariais e de registro, de entes federativos e de \u00f3rg\u00e3os federais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, entre os objetivos oficiais do CIB e do Sinter, est\u00e3o unificar e padronizar a identifica\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis, agregar dados dos cadastros de origem (p. ex., CNIR\/Incra e cadastros municipais) e permitir consultas descritivas e gr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaca-se que a Receita n\u00e3o se torna a respons\u00e1vel pela gest\u00e3o dos cadastros de im\u00f3veis, como ocorre com o Incra no meio rural. A elabora\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o dos cadastros continuam sob responsabilidade das entidades designadas por lei, como os munic\u00edpios, cabendo \u00e0 RFB, por meio do CIB, apenas a fun\u00e7\u00e3o de agregador de informa\u00e7\u00f5es.<br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>CIB e o registro de im\u00f3veis na atualidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o normativa demonstra que o CIB e o Registro de Im\u00f3veis caminham para uma integra\u00e7\u00e3o cada vez maior. Recentemente, o Provimento CNJ n\u00ba 195\/2025, ao alterar o C\u00f3digo Nacional de Normas Extrajudiciais (Provimento n\u00ba 149\/2023 do CNJ), introduziu o artigo 440-AQ, estabelecendo que, na abertura de matr\u00edcula, al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es previstas no artigo 176, II, da Lei de Registros P\u00fablicos, dever\u00e3o constar obrigatoriamente:<br>a. o C\u00f3digo Nacional de Matr\u00edcula (CNM), padronizado em \u00e2mbito nacional;<br>b. a indica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do im\u00f3vel, em metros quadrados para im\u00f3veis urbanos e em hectares para im\u00f3veis rurais;<br>c. a descri\u00e7\u00e3o perimetral com georreferenciamento, com certifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da poligonal no Incra para im\u00f3veis rurais, e obrigatoriedade em hip\u00f3teses espec\u00edficas para im\u00f3veis urbanos;<br>d. os c\u00f3digos dos cadastros imobili\u00e1rios obrigat\u00f3rios, que incluem:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">i. urbano: o Cadastro Imobili\u00e1rio Fiscal (CIF) municipal e o CIB, quando implantado pela Receita Federal;<br>ii. rural: o c\u00f3digo do im\u00f3vel no CCIR\/Incra, o NIRF ou CIB da<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Receita Federal, e o c\u00f3digo do CAR, al\u00e9m da informa\u00e7\u00e3o sobre a nacionalidade da pessoa que detenha a maioria do capital social, nos casos de aquisi\u00e7\u00e3o por pessoa jur\u00eddica, nos termos da Lei n\u00ba 5.709\/1971.<br><br>Dessa forma, torna-se ainda mais evidente que o Registro de Im\u00f3veis est\u00e1 em harmonia com a Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2.275\/2025, que atribuiu aos servi\u00e7os notariais e de registro a obriga\u00e7\u00e3o de adotar o CIB como identificador \u00fanico dos im\u00f3veis. Com efeito, conforme artigo 5\u00ba da Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2.275\/2025, o CIB dever\u00e1 estar presente nos sistemas e documentos lavrados ou registrados a partir de um cronograma de implementa\u00e7\u00e3o e consoante prazos do artigo 266, caput, I, b, da Lei Complementar n\u00ba 214.<br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reforma tribut\u00e1ria: reflexos do CIB no STN<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>O Cadastro Imobili\u00e1rio Brasileiro (CIB) e o \u2018valor de refer\u00eancia\u2019 como instrumentos de integra\u00e7\u00e3o informacional e valora\u00e7\u00e3o fiscal<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo sistema tribut\u00e1rio brasileiro, institu\u00eddo pela Emenda Constitucional n\u00ba 132\/2023, tem como uma de suas marcas a centraliza\u00e7\u00e3o de dados econ\u00f4micos e fiscais em plataformas unificadas de informa\u00e7\u00e3o. Essa integra\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para sustentar um modelo de arrecada\u00e7\u00e3o orientado pela rastreabilidade e pela transpar\u00eancia, no qual a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria atua com base em informa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e verific\u00e1veis. Nesse contexto, o CIB assume papel estrat\u00e9gico, extrapolando a fun\u00e7\u00e3o meramente cadastral para se tornar um instrumento de integra\u00e7\u00e3o territorial, registral e fiscal entre os entes federativos e a Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de sua implementa\u00e7\u00e3o, a Receita passa a ter acesso direto e permanente a informa\u00e7\u00f5es sobre titularidade, localiza\u00e7\u00e3o, \u00e1rea, uso e valor dos im\u00f3veis, urbanos e rurais. Essa vincula\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria do CIB a atos notariais, registros imobili\u00e1rios e cadastros municipais cria uma infraestrutura de dados capaz de permitir o monitoramento em tempo real de transa\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias e de transfer\u00eancias de titularidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa base informacional tamb\u00e9m serve de suporte para a forma\u00e7\u00e3o do chamado \u201cvalor de refer\u00eancia\u201d, previsto na Lei Complementar n\u00ba 214\/2024 (artigo 256). Trata-se de uma metodologia de estimativa do valor de mercado dos im\u00f3veis, calculada a partir de dados de mercado, registros p\u00fablicos e informa\u00e7\u00f5es fornecidas por administra\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias municipais, estaduais e federais. O valor de refer\u00eancia dever\u00e1 ser divulgado no Sinter, atualizado anualmente e sujeito a impugna\u00e7\u00e3o por procedimento pr\u00f3prio (\u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba do artigo 256). Al\u00e9m de poder ser utilizado como meio de prova nos casos de arbitramento (artigo 256, \u00a71\u00ba), esse valor tamb\u00e9m pode ser adotado, por op\u00e7\u00e3o do contribuinte, para a fixa\u00e7\u00e3o do redutor inicial de ajuste (artigo 258, I, \u201cb\u201d), aproximando o par\u00e2metro administrativo da l\u00f3gica de neutralidade fiscal.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A integra\u00e7\u00e3o entre o CIB e o valor de refer\u00eancia representa avan\u00e7o em termos de transpar\u00eancia e intelig\u00eancia fiscal, mas tamb\u00e9m traz novos desafios. A utiliza\u00e7\u00e3o desses instrumentos amplia significativamente a capacidade da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de cruzar informa\u00e7\u00f5es, o que reduza a evas\u00e3o, mas tamb\u00e9m pode gerar efeitos indiretos sobre a tributa\u00e7\u00e3o patrimonial e territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O valor de refer\u00eancia, concebido como ferramenta de apoio \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo, pode irradiar efeitos sobre outros tributos, como o IPTU, o ITBI e o ITR. No caso do IPTU, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel que os munic\u00edpios utilizem o valor de refer\u00eancia como par\u00e2metro auxiliar para atualizar suas Plantas Gen\u00e9ricas de Valores (PGV), resultando em eleva\u00e7\u00e3o indireta das bases de c\u00e1lculo. No ITBI, a compara\u00e7\u00e3o entre o valor declarado e o valor de refer\u00eancia pode fundamentar questionamentos autom\u00e1ticos quanto \u00e0 subavalia\u00e7\u00e3o das transmiss\u00f5es imobili\u00e1rias. J\u00e1 no ITR, a integra\u00e7\u00e3o entre o CIB e o Sinter tende a aprimorar a fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre a utiliza\u00e7\u00e3o produtiva da terra e a correspond\u00eancia entre a \u00e1rea declarada e a efetiva ocupa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, ainda que o valor de refer\u00eancia tenha sido criado para refor\u00e7ar a efetividade dos tributos sobre o consumo (IBS e CBS), ele pode produzir reflexos relevantes sobre a tributa\u00e7\u00e3o patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Cruzamento de dados e a transpar\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es locat\u00edcias: reflexos no IRPF e no IRPJ<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos impactos mais sens\u00edveis do CIB, especialmente quando integrado ao Sinter e aos sistemas da Receita, ser\u00e1 a possibilidade de rastrear o uso efetivo dos im\u00f3veis e de identificar discrep\u00e2ncias entre o titular formal e o ocupante real. Essa funcionalidade altera substancialmente a din\u00e2mica de fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre a renda imobili\u00e1ria, com repercuss\u00f5es diretas na tributa\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica (IRPF) e do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ).<br>tualmente, \u00e9 comum que contratos de loca\u00e7\u00e3o n\u00e3o sejam formalizados por escritura p\u00fablica nem declarados \u00e0s autoridades fiscais, sobretudo nas rela\u00e7\u00f5es entre pessoas f\u00edsicas. Essa informalidade dificulta a identifica\u00e7\u00e3o de rendimentos sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o e representa uma das principais fontes de evas\u00e3o no \u00e2mbito do IRPF. Com o CIB, entretanto, a Receita Federal poder\u00e1 cruzar as informa\u00e7\u00f5es cadastrais do propriet\u00e1rio com os dados de ocupa\u00e7\u00e3o obtidos a partir de registros municipais, concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos e declara\u00e7\u00f5es de domic\u00edlio.<br><br>Essa capacidade de cruzamento automatizado permitir\u00e1 identificar situa\u00e7\u00f5es em que o propriet\u00e1rio n\u00e3o reside no im\u00f3vel, mas h\u00e1 ind\u00edcios de uso cont\u00ednuo por terceiros, o que poder\u00e1 ensejar a presun\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia de loca\u00e7\u00e3o n\u00e3o declarada. Al\u00e9m disso, o monitoramento dos contratos formais, que passar\u00e3o a exigir identifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel por meio do CIB, eliminar\u00e1 a possibilidade de oculta\u00e7\u00e3o de receitas de aluguel sob contratos privados n\u00e3o registrados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as pessoas jur\u00eddicas, os reflexos s\u00e3o igualmente relevantes. Empresas que possuam im\u00f3veis locados ou sublocados poder\u00e3o ter seus registros confrontados com as informa\u00e7\u00f5es cadastrais do CIB, permitindo \u00e0 Receita verificar a coer\u00eancia entre as receitas declaradas e a utiliza\u00e7\u00e3o dos bens. Essa integra\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a tend\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o de um \u201cperfil fiscal patrimonial\u201d das pessoas jur\u00eddicas, em que a congru\u00eancia entre propriedade, uso e receita passa a ser monitorada de forma cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>CIB e seus efeitos sobre a tributa\u00e7\u00e3o patrimonial e imobili\u00e1ria<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a reforma tribut\u00e1ria tenha foco na tributa\u00e7\u00e3o do consumo, a infraestrutura criada para sustentar o IBS e a CBS inevitavelmente repercute sobre a tributa\u00e7\u00e3o da propriedade e da renda imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao permitir a identifica\u00e7\u00e3o precisa da titularidade, localiza\u00e7\u00e3o e valor dos im\u00f3veis, o CIB oferece base para a moderniza\u00e7\u00e3o de tributos patrimoniais como IPTU, ITBI, ITR e o pr\u00f3prio IR sobre ganho de capital. A padroniza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e o hist\u00f3rico registral integrado reduzem controv\u00e9rsias sobre valores declarados, facilitam a apura\u00e7\u00e3o do ganho de capital e ampliam a capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre im\u00f3veis subutilizados ou mantidos com fins meramente especulativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No longo prazo, o CIB poder\u00e1 ainda sustentar pol\u00edticas de tributa\u00e7\u00e3o progressiva sobre a propriedade, em linha com as diretrizes constitucionais do artigo 182, \u00a74\u00ba, e do artigo 156, \u00a71\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o. A disponibilidade de dados precisos e integrados permitir\u00e1 que os entes federativos adotem crit\u00e9rios objetivos de diferencia\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas, seja em raz\u00e3o do uso, da localiza\u00e7\u00e3o ou do valor de mercado do im\u00f3vel, fortalecendo o princ\u00edpio da capacidade contributiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, o uso fiscal do CIB exige cautela. A utiliza\u00e7\u00e3o de dados cadastrais para fins de valora\u00e7\u00e3o ou identifica\u00e7\u00e3o de fatos geradores deve observar estritamente os limites da legalidade, evitando que um instrumento de transpar\u00eancia se transforme em mecanismo autom\u00e1tico de presun\u00e7\u00e3o de riqueza ou de aumento indireto da carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria normativa recente demonstra que o CIB n\u00e3o \u00e9 um instrumento isolado, mas parte de um movimento mais amplo de integra\u00e7\u00e3o entre cadastros fiscais, territoriais e o Registro de Im\u00f3veis. Observa-se, portanto, que a Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2.275\/2025 n\u00e3o deve ser recebida com reservas, mas compreendida como etapa necess\u00e1ria para a consolida\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura nacional de dados territoriais, cuja efici\u00eancia depender\u00e1 da coopera\u00e7\u00e3o entre os entes federativos e da harmoniza\u00e7\u00e3o de procedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob a \u00f3tica tribut\u00e1ria, a reforma tribut\u00e1ria ampliou substancialmente o papel do CIB, transformando-o em elemento estrat\u00e9gico tanto para a administra\u00e7\u00e3o da propriedade quanto para o controle e a arrecada\u00e7\u00e3o dos tributos. Com a integra\u00e7\u00e3o promovida pelo Sinter, a Receita Federal passa a contar com dados atualizados sobre titularidade, uso e caracter\u00edsticas dos im\u00f3veis, o que serve de base para a forma\u00e7\u00e3o do valor de refer\u00eancia. Embora concebido para dar suporte ao IBS e \u00e0 CBS e enfrentar problemas de subdeclara\u00e7\u00e3o, esse par\u00e2metro tende a irradiar impactos para outras esferas tribut\u00e1rias, sobretudo na valora\u00e7\u00e3o de ativos e na apura\u00e7\u00e3o da renda imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O compartilhamento estruturado de informa\u00e7\u00f5es entre cart\u00f3rios, munic\u00edpios e a Receita contribui para reduzir inconsist\u00eancias cadastrais e fortalecer a qualidade das bases de dados que sustentam a tributa\u00e7\u00e3o sobre propriedade, renda e opera\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias. Ainda assim, \u00e9 fundamental que o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico venha acompanhado de limites claros ao uso fiscal dessas informa\u00e7\u00f5es. O CIB deve servir como ferramenta t\u00e9cnica para aprimorar a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, e n\u00e3o como atalho para presumir valores ou renda sem respaldo legal. A preserva\u00e7\u00e3o da legalidade, da tipicidade e da seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e9 essencial para que a amplia\u00e7\u00e3o da capacidade informacional do Estado n\u00e3o resulte em excessos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise, a consolida\u00e7\u00e3o do CIB depende da capacidade institucional de equilibrar integra\u00e7\u00e3o de dados e prote\u00e7\u00e3o das garantias do contribuinte. Se bem implementado, o cadastro se tornar\u00e1 um elo relevante entre a pol\u00edtica fundi\u00e1ria e o sistema tribut\u00e1rio, contribuindo para um ambiente de maior previsibilidade, racionalidade e estabilidade na aplica\u00e7\u00e3o das normas fiscais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em agosto de 2025, a Receita Federal publicou a Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 2.275, disciplinando a ado\u00e7\u00e3o do Cadastro Imobili\u00e1rio Brasileiro (CIB) como identificador \u00fanico de bens im\u00f3veis urbanos e rurais e estabelecendo a forma de compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e documentos relacionados a opera\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, por meio do Sistema Nacional de Gest\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Territoriais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29909,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[36,138],"tags":[],"class_list":["post-29908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-belo-horizonte"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29908"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":171205,"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29908\/revisions\/171205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adz.technology\/demarest\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}